Boiando em Moçambique

Desventuras de Rafael Moralez na África


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Kendwa Rocks

No caminho para Kendwa… …40 minutos sacolejando no Dala-dala, que é um caminhãozinho com uma capota na carroceria e todo mundo vai entrando ali, e tá apertado já mas entra mais gente mesmo assim! E as mercadorias e bagagens vão no teto, quando você acha que não cabe mais ninguém, entra uma família com nenê e sacolas e tudo mais. Foi legal! Sendo o único não tanzaniano ali consegui conversar com meus companheiros de aperto sobre vários assuntos. Uma boa forma de se integrar e interagir é tomar um busão lotado, todo  mundo fica na mesma e acaba acontecendo um reconhecimento de pertencimento ao local. menos em São Paulo que busão lotado é sinônimo de cara feia e olhar fixo no vazio!

O caminho era muito bonito, dava pra ver de relance porque o motorista era veloz. Mas umas paisagens de praia, com um lado meio africano e corvos e os policiais mandando todo mundo descer pra mandar todo mundo subir sem nem revistar nada. Interessante!

Chgou um ponto no meio da estrada que vi uma placa escrito Kendwa, era ali, desci no meio do nada e fui andando por uma estrada de terra, sozinho, num sol de 40 e tantos graus pra chegar num lugar que não sabia onde era. Tranquilo!

Acaba que vejo a praia e um belo de um lodge, confortável pacas, boa comida, cerveja gelada, cheio de turista eupoeu deslumbrado e os Massais andando de um lado pro outro tentando te vender alguma coisa.

Encontrei meus amigos de safari de novo, as espanholas chatinhas e o casal mina da Eritréia (Sara) e cara da Noruega (Thomas).

Foram dias preguiçosos na praia, comendo peixe espada, tomando cerveja Serengueti e Tusker, dormindo bem, o oceano Indico azul turquesa… …meio paraíso o lugar! Conheci um povo inglês também, gente fina!

Na passagem de ano teve uma festona, muita gente, música eletrônica e um rango bom!

Depois da meia noite me encontrei com Sara e Thomas ficamos conversando um bom tempo. Algum cretino soltou uma granada de efeito moral perto da pista, foi uma puta correria, olhos e nariz ardendo pacas, o casal da Eritréia eram militares e me ajudaram nessa hora, depois vi eles ajudando outras pessoas. Os caras eram meio MacGiver saca!!

Mas no fim foi tudo bem e bem divertido. Passado o ano novo, dia 1 de janeiro comecei a voltar pro Brasil, só fui chegar aqui dia 3 de janeiro.

Foram longos dias de barco, carro, ônibus, 3 aviões uma espera gigante em Johanesburgo e uma sensação de que deveria começar a planejar outra viagem destas o quanto antes.

Aqui vão as fotos de Kendwa Rocks, uma das praias mais bonitas que já fui!!

Peixes no mercado de Stone Town, coloreds!

Polvos e outras criaturinhas do mar!

A praia de Kendwa Rocks, bem legal!

Um massai em seu ambiente de trabalho!

Mais um massai, eles são simpáticos!

Grupo de massais

Colors

eu

Eu depois de umas 3 breja!

Dog gente fina, altos papos com ele!!

O dia foi chegando ao fim!

Mais um pouquinho e acaba!

Muito azul até de noite!

E um novo dia nasce, azul pacas e com uma puta praia bonita pra dar um rolê!

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Animal

Minha gente!!

Nada como lembrar dos bons tempos do finado Collor, aquilo sim que era política econômica!!  A Zélia, o confisco da poupança, o Lada Niva, o dólar pau a pau com o dinheirinho brasuca!!

Odeio a palavra brasuca, acho feio pacas!!!

Acordei no campsite do lugar com nome impossível de pronunciar lá pelas 5 da manhã, tomei um cafezão e sai pra ficar andando de jeep por estradas de terra.

Pensei que se safari fosse aquilo podia fazer no interior de SP mesmo, no oeste paulista… …mas ledo engano deste que vos escreve. Passada a primeira hora de chacoalho chegamos a reserva de Ngorongoro, bonito pacas!! Babuínos, zebras, gnus, javalis, rinocerontes, leões, guepardos, elefantes, flamingos, uns lobinhos que não lembro o nome, etc… …e foi assim  o dia todo. Você não desce do carro em momento algum, só pra fazer um xixizinho e olhe lá!

Encontramos uma girafa morta por leões, vou por a foto aqui! E ver esses bichos todos soltos é bonito pacas, vale a pena!

No segundo dia fomos a Tarengire, teve girafas e mais um monte de bichos! Depois de dois dias andando de carro pelos parques voltei a Arusha e me despedi de meus amigos de safari, ver esses bichos soltos foi bem legal! Emocionante diria! Acho que todo mundo devia ver…

Voltei pra Stone Town naquela porcaria de Hostel dos rastafari que queriam cobrar mais caro porque só tinha cama de casal. Um calor do cão e a cidade sem energia, tudo com gerador. Decidi ir embora dali, resolvi que iria mais cedo para Kendwa Rocks onde tinha reserva em um Lodge para passar o ano novo.

Não sem antes entrar em uma discussão com os rastafari sobre o preço da diária, queriam cobrar mais caro, já tinha ficado ali no mesmo quarto e custava 15 dólares, dessa vez ele queria cobrar 30 dólares, entramos em um interessante debate não muito gentil, até que o rasta-mór disse:

– Você não vai sair daqui pagando 15 dólares, vc tem que pagar 30 dólares!!!

-Mas o quarto custa 15???

– 30 dólares… …paga!!!

Ficamos uns 50 segundos em silêncio, e isso quando você discute com alguém é muito tempo, parece que passou uma hora, até que quando eu ia começar a argumentar de novo com ele chegou mecânico do gerador do hotel que estava quebrado, o rasta mór foi lá pra dentro resolver a parada do gerador quebrado. Não sem antes dizer pra eu esperar que ele ia voltar.  Ah eu não via a hora dele voltar, tava com saudade já!!

E eu sozinho na portaria do hotel esperando por ele pra continuarmos a nossa agradável e amigável discussão, quando de repente… …não mais que de repente passa o rasta-mirim, um rastinha, um rastafarizinho que mandava merda nenhuma ali dentro, chamei ele e disse:

– Entrega esses 15 dólares pro teu chefe, diz que foi o cara tatuado de camisa vermelha que deu!!

E saí, quando estava com o pé na rua ele coloca a cabeça pra fora do hotel e grita:

– Hey você não tem trocado!!

Voltei lá contei os troquinho e dei 13 dólares mais uma moedas em shilings agradeci, ele ficou contente também e me mandei do lugar.

Fui até o mercado da cidade, uma zona de lugar, peguei um Dala-dala (transporte popular local) e me mandei pro norte da ilha.

A passagem pro norte da ilha foi outra saga, a primeira oferta custava cinquenta mil shelings, no fim fui por mil e quinhentos, lá se você não barganhar paga muito mais do que as coisas valem!

Bom… …paguei minha conta no hotel, com desconto, o que eu acho justo porque com desconto você cativa o cliente e ele sempre volta! Não vai ser meu caso!

Mas me livrei de ver qual técnica de soco e chute os rastafaris praticam em Zanzibar!!

Prefiro tomar cerveja na beira da praia… …e foi isso que eu fui fazer!

As zebras são lindas ao vivo, e super ativas, uma correria danada de um lado pro outro!

Os Gnus são mais metaleiros, povo meio acabrunhado, gostei deles!!

Grupo de leoas, tinha uma chuvinha fina... ...uma preguiça danada! Ficamos meia hora ali e só uma levantou a cabeça pra ver o que rolava!

Rinoceronte, esse estava meio longe, mas foi bem legal de ver, dizem que não é sempre que ele tá por lá!

A girafa morte. Pedi pra descer do carro e ver de perto mas o não rolou, acho que foi melhor assim!

The king of the jungle, e provavelmente o responsável pela foto anterior segundo os nativos!

A esposa do Leo acima, com cara de quem não tá afins de muito papo!

Elefante tranquilão batendo um rango. As manadas estavão longe, mas deu pra ver!

E o bicho mais bonito de todos, elegantes e tranquilas, tirei umas trocentas fotos delas!


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Arusha

Onde a gente tava mesmo?!

Arusha né!!

Pois bem meus queridos desci no aeroporto de Arusha que parecia o do filme Casablanca, era um galpãozinho com uma construçãozinha aqui e outra ali e… …o cara que me vendeu o safari na agência que parecia um boteco disse que o Sr. Vitor ia me buscar no aeroporto. Só que o espertão esquecei de avisar o tal do Vitor que meu voo tinha escala, então demorava mais que o normal. Quando saí da cerca do embarque não tinha ninguém lá. Quer dizer, tinha um monte de gente mas o Vitor não.

Esperei um tanto e quando foi ficando mais ralinho de gente perguntei se a cidade era perto, o cara do taxi me disse que uns15 km, tinha o cartão do tal vitor, mas não tinha telefone pra ligar, daí o cara muito cordialmente ligou pro tal Vitor que disse gentilmente pra eu pegar um taxi e ir ao Blue Rock Bulding Center que ele não ia lá me buscar não porque  ele foi antes esperou e meu avião não chegou.

Bom fui ao tal Blue Rock que era um predinho de 3 andares, o Vitor era um cara sério. Muito sério! Misterioso diria. Dava um certo receio de discordar dele sabe! E ele me disse:

– Você vai aqui com o Sr. Sgrunf (não lembro o nome) e ele vai te levar ao carro que te deixará no campsite, fica a duas horas daqui e amanhã você irá fazer dois dias de Safari!

Respondi:

– Sim senhor, senhor!!! Bati continência fui embora com o Sr. Sgrunf

O Sgrunf me levou num terminal de carros e ônibus populares que era uma zona, mas uma zona de verdade, me colocou dentro de um carro com mais oito pessoas, me deu um envelope com parte do dinheiro que tinha dado a eles, e um papel escrito onde deveria descer, e me disse:

– Esse carro vai até o campsite, você entrega esse envelope com dinheiro para meu irmão, bom safari!

– ….ééééé… …mas, como sei a hora de descer do carro!

– O motorista te avisa!

Só que na África o carro só sai quando tá cheio e ainda tinha uma vaga, cabiam 9 pessoas no carro e só tinham oito. E demorou pacas, até que a mulher no fundo do carro se encheu de ficar lá apertada e foi embora com os dois filhos, e todo mundo foi atrás dela só fiquei eu lá paradão na janelinha como sempre!

Daí perguntei para um cidadão o que tinha acontecido, ele me disse:

– Esse carro não vai mais sair hoje, ele está vazio você tem que procurar outro!

– Como assim, cadê o motorista!?????

– É ele aqui!

Fui falar com o motorista mas ele não falava inglês, e o cara que me deu informação descobriu que eu era do Brasil e ficava dizendo que era do Yemêm e adorava futebol e Ronaldo e Kaka e pelé, e tals… …eu fiquei de saco cheio dele e mandei ele voltar pro Yemêm que eu tinha que resolver meus pobrema!!

Daí eu estava no meio de uma puta zona, com um envelope com parte do meu dinheiro na mão e um papel onde tinha que descer, cujo nome era impronunciável!

Vi um cara meio sério e pedi ajuda a ele, por coincidência ele ia um pouco além de onde tinha que descer e fui no carro que ele ia. Apertado pacas, mas fui!

O motorista do carro novo era um motorista sagaz! Veloz! Destemido! Foi anoitecendo e ele não ligou o farol, ligou a seta! Só ligava o farol quando vinha um carro na contramão!

Foi tranqüilo! Deu um medo desgraçado!

Duas horas depois, com uma pontualidade e segurança britânica ele para em um vilarejo e fala:

Yambe na yambe tinipereka kutenda kuna imwe mbuya mpfundzisi, ntsogoleri!!

Apontando pra mim, era ali! Uma puta escuridão e uma porteira na minha frente, do nada sai um cidadão e diz!

– Mister Rafael!!! I waiting for you!

Quase abracei ele e comecei a chorar de emoção! O campsite era ali!

Entrei e jantei com meu grupo uma comida boa com um cara da Noruega vestido de massai, uma mulher da Eritréia, e duas espanholas.

Agora vou estudar!

Falous!

Ao som de Gotan!

Rafas

Hoje não tem foto!


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From Dar es Salaam to Stone Town

Saudações terráqueos!

Levem-me a seu líder!!

Estava eu em Dar es Salaam, cidade bem árabe, andei pacas a manhã toda e decidi que não valia apena ficar ali, nem tinha tanta coisa assim pra ver, eu acho! Fui até o porto e comprei uma passagem de Ferry para Stone Town que fica na Ilha de Zanzibar, praia né!?

Peguei o Ferry e cheguei em Stone Town no meio da tarde, sempre quente.É estranho porque a ilha de Zanzibar pertence a Tanzania, e eu já tinha o visto de turista para o país, mas quando você chega na Ilha de Zanzibar tem que pedir um novo visto. É como se fosse um outro país.

O Freddie Mercury nasceu lá… …grandiscoisa!

Você percebe que está em um lugar diferente quando no lugar de pombas a cidade tá cheia de corvos e todo mundo anda de lambreta. Bem legal.

É tudo árabe, você vai comprar uma bala e tem que ficar 10 minutos negociando desconto com o cara senão ele fica bravo porque você não pechinchou. Os americanos não pechincham, mas os comerciantes gostam deles porque pagam preços altíssimos por coisas que eu pagava quase 10% do valor. Mão de vaca que sou cheguei a negociar uma passagem de Dala-Dala, que é o transporte público local, o cara queria 10.000,00 shelinghs negociei e saiu por 1000,00, e ainda fui na janelinha!

A cidade de Stone Town é um labirinto. Só a parte do mercado e do porto que sai para as estradas são grandes vias que os carros passam. A ruas tem um metro e meio de largura, e os mano andam a milhão de lambreta por lá. E comem polvo frito na rua, é bom pacas!

A ilha de Zanzibar estava sem energia, tudo movido a gerador e andar a noite nesse labirinto era bem legal. Só foi difícil achar o hostel depois de umas 5 cervejas. Andei pacas!!

Lá as mulheres andam de burca e boa parte delas tem as mãos tatuadas de henna, eles gostam de tatuagens era interessante conversar com eles sobre o assunto porque não tem o preconceito ocidental, é tranqüilo, faz parte do dia a dia deles.

Mas fiquei lá um dia e comprei de uma agência de turismo que parecia um boteco com uma família morando no fundo do escritório um pacote para ir ao Serengueti ver uns bichos. Paguei uma grana, mas fui!

Em duas horas estava dentro de um avião-Kombi que me levou a outro aeroporto onde peguei um aviãozinho-Kinder ovo rumo a Arusha… …ah Arusha!! Cidadezinha desgraçenta!

Amanhã conto de Arusha!

Falous!

Rafa

Ao som de: Queens of the stone Age

Uma mesquita bonitona que tinha lá!

Típica rua de Stone Town, os carros circulam só fora da cidade. Nessa via só bike e lambreta! Bem legal!

Texturas! Foto arte... ...tão tá!

Esse é um prédio público que por dentro era lindo, mas o esperto aqui não tirou foto de dentro, fiquei lá olhando só... ...babando na gravata!

Essa rua saía no hotel, tirei a foto pra conseguir lembrar e voltar caso me perdesse, o que acontecia o tempo todo!


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Vamo lá!!

O Robinho voltou pro Santos!! Se ele volta eu também posso voltar!

Então vou contar aqui os last days na África e depois nóis vê o que faz aqui em SP. Ando correndo (percebem o trocadilho aqui?) para terminar a dissertação do mestradum… …Jah proverá!

Saí de Mótrambique em dezembro, dia 22 tava um calor do cão, uns 48ºC, torrante, torresmo! Dei uma mofada no aeroporto porque o avião demorou umas 6 horas a mais pra chegar. Tranquilo, daí foi aquele lenga-lenga de ir pra Maputo dormir lá uma noite e depois ir pra Joanesburgo. Larguei a maior parte da bagagem no aeroporto, por sinal é caro pacas deixar bagagem lá! E fui rumo a Dar es Salaam, capital da Tanzania onde ia ficar uns dias.

Cobsegui chegar a Dar es Salaam a noite, umas 19:00, tudo escuro, lá só se fala a língua local que é o Suaíli e inglês com sotaque legal!

Calor do cão, negociei um taxi até o dito hotel que me disseram ser bom… …tão tá! Mas antes de chegar no hotel eu lá do lado do motorista todo turistão parado no farol, com a mochila entre as pernas e vem um sujeito não tão bem intencionado assim e tenta arrancar a mochila de  mim, isso 5 minutos depois de eu ter colocado o pé na Tanzania. O motorista segurou um lado da mochila eu segurei outro e o cara lá fora puxando. Um assalto no melhor estilo cabo-de-guerra, eis que o meliante desiste! O motorista diz:

– É melhor fechar a janela!

– Ah qué isso, tá uma brisa tão boa aqui!!

Assaltos acontecem mas até que me saí bem desse, só um susto.

O hotel era uma merda. Quente pacas  e tudo torto. Dormi uma noite e só fui sair de lá de manhãzinha.

Dar es Salaam é árabe, muçulmano, nem parece que você tá na África, tem mesquita pra tudo quanto é lado e o povo anda com umas armas pesadas na rua, fuzil e outras mais. Lá tomei garapa, que eles chama de Sugar Cane Juice, bem gelada, na rua mesmo, voltei umas três vezes na barraquinha pra tomar mais. Mal sabia o garapeiro que em no interior garapa é o maior barato e todo mundo transa o suco da cana numa nice! (Esse foi meu momento hippie-paz e amor-anos 70)

Mas bom mesmo é o tapetinho que vendem na frente das mesquitas com uma bússola grudada, assim você muçulmano não perde Meca e pode orar trocentas vezes por dia para o Sr. Alá.

Incrívis, como diria o Mussum!

Isso continua… …amanhã escrevo mais! Vou estudar aqui!

Falous

Rafa

Ao som de – ventilador do teto da sala

Nhau - religião, espírito, dança eu não sei o que é, mas é lhoco mano!

Outro cidadão do Nhau, eles incorporam e ficam horas com a fantasia, nesse tempo não são mais eles mesmos! Como disse, é lhoco mano!!