Boiando em Moçambique

Desventuras de Rafael Moralez na África


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Quente

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Arvrona, legal né! Essa está lá no Malawi!

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Criançada malawiana, tudo gente fina! Gente bonita!

Aqui a parada é quente mano!!

Pode parecer repetitivo. E é repetititititvo!! Mas aqui é quente pacas, ontem tava um forno, você saía no sol e sentia o couro torrando. Couro torrando me lembra torresmo, que me lembra virado a paulista que é bom pacas, e que me lembra que eu não posso comer nada disso por conta da malária e suas respectivas sequelas. Agora estão mais calmas, bem poucas, uma caimbrazinha aqui, uma dorzinha de cabeça de doze horas ali, coisa pouca. Por conta disso tudo no mês de outubro eu tirei sangue sete vezes para fazer exame, depois da quinta vez quando a enfermeira vinha com a agulha eu já falava “Obaaaaaa, vamo tirá sangue hoje!!  Sanguê, sanguê, sanguê!!” (leia essa última parte como um coro igual o final de parabéns a você, aquela hora do “rá, tim, bum, fulanô, fulanô” e não fulano, mas sim “fulanô”! neste caso não é sangue, mas sim “sanguê!”, ênfase no circunflexo)

Houve eleições presidenciais aqui nessa semana, hoje de manhã na rádia ouvi o seguinte diálogo:

-E o senhor como observador das eleições faz o que?

– Como observador meu trabalho é observar!

– Perfeito, e ao observar o que relata?

– Relato tudo aquilo que vejo!!!

Não é lindo! Sensacional, contei pro meu amigo moçambicano esse diálogo mal conseguindo falar porque eu tava rachando o bico de rir e ele ficou sério olhando pra mim perguntando com cara de quem tá pensando o-que-esse-branquelo-pensa-que-tá-fazendo-aqui e me diz com um olhar blasé ” O que tem de engraçado nisso?”. Bom… …acho que meu senso de humor não orna com o local.

E mataram um escorpião no banheiro de casa. Grandiscoisa! E daí, era um merdinha de um escorpião, menor que uma barata, mas fizeram um escarcéu danado. Tudo maricas esse povo!

Fim de semana vamos para o Songo na represa de Cahora Bassa, dizem que lá tem hipopótamos e crocodilos, oxalá os veja! Dizem também que lá não se pratica a natação devido a convivência pouco pacífica  com a fauna local. Vamo lá vê o que que pega!

Hoje vai ter frango no almoço pra variar. Tem frango todo dia pô, daqui a pouco vai começar a nascer pena na galera!

Quero agradecer mesmo todo mundo que me manda mensagem e e-mail elogiando o blog e dizendo que “tá legal!”, thanks de coração!!  Quando chegar no Brasil a gente toma umas beer junto oks!!

Grande abraço a todos!

Ao som de Primus – Antipop, discão esse aqui!!

Rafas

Obs** As duas fotos desse post são de Lucas Sartori, amigo brasileiro que labuta comigo.


2 Comentários

Tudo ficando verdim…

Mercado municipal de Maputo, lugar ideal para sorver gélidos refrescos.

Mercado Municipal de Maputo, ambiente ideal para sorver gélidos refrescos.

Um suco de uva natural, assim dizia o rótulo, mas era bom. Depois de quatro refrigerantes diferentes você começa a sentir menos o sabor das coisas.

Esse era de suco de uva natural, pelos menos dizia no rótulo, mas depois de quatro refrigrerantes você começa a sentir menos o sabor das coisas.

sparletta

Sparletta, esse é dos meus!

MÀÀÀÀÀ OEEEEEEEE!!

Hoje voltei de fato a Tete. Depois de uns dias de Brasil que fez um bem danado, porém não deu pra  ver todo mundo que eu queria.

Chego em dia de eleições presidenciais. O candidato do partido Frelimo (Frente de Libertação Moçambicana) que está no poder fazem 30 anos será reeleito. Achei que ia chegar em um país tumultuado e barulhento, mas não, parece mais um domingo quente em Tete mesmo. O voto não é obrigatório, mas é feriado mesmo assim. As campanhas ficam suspensas três dias antes das eleições, então fica tudo calmo mesmo.

Uma pena!

Achei que ia ver algo do tipo “Revolução africana!”, leões na cidade, lanças e tambores em punho, girafas besuntadas em xylocaína, pigmeus de tanga e aparelho ortopédico… …que nada, fui no posto de gasolina, comprei uma Sparletta (refrigerante sabor vermelho) e foi só isso que aconteceu. Estou com fuso de lugar algum, logo estou “confuso”, Há, essa foi boa! Não tenho nem o horário do Brasil, nem daqui. Como diz a arquiteta-urbanista-gracinha Patzand “Não sei nem a hora que tenho fome!”

Mas foi legal voltar, posso dizer que senti uma “saudade relativa” dessa terra quente.

No chek-in de ida ao Brasil atrás de mim na fila do aeroporto de Tete tinha um sujeito com 6 fuzis, normal né! Tentei tirar uma foto escondido, mas se me vissem ia dar um quiprocó danado.

Normal né!!

– O Sr. vai despachar ou vai levar o fuzil como bagagem de mão?

E as árvores estão ficando todas verdinhas, é a umidade chegando, chuva mesmo nada até agora!

Ao som de Desmond Dekker – Ska dos bons

Falous

Rafa


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Changes

Definitivamente esse cidadão não tem problemas com vizinhos.

Definitivamente esse cidadão não tem problemas com vizinhos.

O bebê vai amarrado nas costas com uma capulana, elas chama de neneca! Eles dormem o tempo todo, mesmo caminhando rápido.

O bebê vai amarrado nas costas com uma capulana, elas chama de neneca! Eles dormem o tempo todo, mesmo caminhando rápido.

Roupas e capulanas!

Roupas e capulanas!

Tenho 10 dias no Brasil, mas primeiro falaram que eu não ia mais pro Brasil. Depois disseram que eu ia mas que tinha que ser dia 14 e que iria direto.

Por mim ok!

Depois disseram que ia ser verificado.

Por mim ok!

Agora decidiram que eu vou dia 17 mas que tenho que ir dois dias antes e dormir uma noite me Maputo.

Por mim ok!

Contanto que eu viaje um pouco eu vou pro inferno se me pedirem. Mas resolve de uma vez pô!!!

Acho que nesse dia em Maputo se tiver sol vou pra ilha de Inhaca, que de nhaca não tem nada, é um lugar lindo, só vi fotos, mas tem vida marinha abundante e parece que come-se um peixe bom por lá! Vamo vê, se tiver sol  eu vou, senão vou num cassino que tem em Maputo, arriscar uns meticais na roleta, no black jack e porque não no carteado hein!!

Vou nada! A grana tá no fim e preciso comprar uns dólars no Brésil. Agora ta bão né, a cotação eu digo!! O dólar tem dois tipos de cédulas, as antigas em que a cabeça do presidente é pequena e as novas em que a cabeça é grande. Aqui, sei lá porque, eles só aceitam as cédulas dos cabeçudos, se você tenta pagar com as antigas eles não recebem, no Malawi também. Então tem que ir na casa de câmbio e pedir dólar cabeçudo se for vir gastar por essas bandas.

Porque será que tem que ser cabeçudo? Será que eles pensam que… …xápralá!! Ah e se você for trocar uma nota de 50 dólares é uma cotação, mas se der duas notas de vinte e uma de dez a cotação é menor, perguntei por que e eles responderam:

– Sim, sim, obrigadinho… …estou a compreender pá!! (leia com sotaque lusitano)

Aqui é normal isso, você faz uma pergunta e eles respondem uma coisa nada a ver, é porque não compreenderam a pergunta e respondem qualquer coisa.

Uma vez perguntei ao motorista:

-Sr. Emídio falta muito pra chegar?

– Muito obrigadinho Rafael, estamos juntos!!! (estamos juntos é tipo um “né”, quando no fim da frase você diz “né” buscando a compreensão do seu interlocutor.)

Dólar cabeçudo, passagem trocada, dia em Maputo né!!!

Tô levando um monte de camisetas escrito “Fui pra Moçambique e lembrei de você!”, vou distribuir pra umas pessoas aí!!

Abrazos!

Ao som de: Blue Cheer, sonzêra mano!!!


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Mais um pouco sobre o viver em Moatize

A mãe e a filha. A mulher moçambicana é forte!

A mãe e a filha. A mulher moçambicana é forte!

Roupas bonitas sempre!

Roupas bonitas sempre!

Enfermeiras indo pro trabalho, o uniforme delas é muito legal diz aí!

Enfermeiras indo pro trabalho, o uniforme delas é muito legal diz aí!

Fim do dia no alto de um morro aqui que chama Carrueira. Na verdade eu não estou na Àfrica, mas sim em Osasco fazendo um curso de photoshop e  essas fotos é tudo efeito de computador!

Fim do dia no alto de um morro aqui que chama Carrueira. Na verdade eu não estou na Àfrica, mas sim em Osasco fazendo um curso de photoshop e essas fotos é tudo efeito de computador!

Algumas pessoas me perguntam se aqui tem cinema, ou se tem mercado, ou se é mesmo como um acampamento, vou dar uma panorâmica sobre a vida material que me rodeia.

Entretenimento como cinema não tem, o antigo que havia na época dos portugueses virou igreja, mas devia ser bem bonito quando ainda em funcionamento. A cidade tem 6 ruas asfaltadas e uns restaurantes de Sul Africanos que fazem uma carne decente, uns barezinhos maizomeno pra tomar umas beers, e os ambientes moçambicanos mesmo, que são os mais interessantes no fim das contas.

Viver aqui tem seus contratempos, afinal o país é pobre e carente em muitos aspectos, quase todos. Mas os brasileiros gozam de boa estadia. Algumas pessoas me perguntam sobre isso. Moramos em uma confortável casa construída pelos portugueses. Eles foram expulsos com a revolução e deixaram uma boa base construída, algumas dezenas de casas no estilo modernista, belas linhas e grandes cômodos, agora com ar condicionado em todos os lugares, que é pra agüentar o calor local.

Tem guarda na porta de casa, segurança é bom. Temos carros a nossa disposição, caminhonetes Ford Ranger novinhas, com free combustível, a internet é lenta mas funciona bem o suficiente. A cidade tem uns quatro mercadinhos que trazem comida e produtos da África do Sul,  tudo importado dos EUA e Europa, então dá pra comer chocolate belga e tomar chá inglês, ao mesmo tempo que o sabonete vem de Portugal e o suco da Califórnia. Produtos moçambicanos só o básico mesmo tipo sal, açúcar, óleo, etc. A carne bovina não é lá essas coisas, tem o frango local que bem assado até que passa. Fora isso a cerveja é Amstel ou Heinneken, se bem que a marca moçambicana Laurentina não deixa a desejar. O trabalho, no meu caso educação e cultura, é bastante interessante, visitar e conviver com essas pessoas é uma aula de vida, dá uma chacoalhada no cidadão e você começa a ver que tem coisas muito mais importantes, mas as vezes em sumpaulo a gente esquece disso. Além de possibilitar de conhecer lugares em que o turismo convencional tipo Stella Barros  nunca chegaria. Tenho o privilégio de conhecer estes lugares, sempre pensei em vir pra Àfrica, mas jamais chegaria aqui, esse lugar não é nada turístico. Lógico que os contratempos são muitos e fortes, tem a malária, tem a dificuldade em realizar o que é proposto, tem a burocracia local, etc… …mas em qualquer lugar do mundo há contratempos. Bom mesmo é não ter barreiras dentro da cabeça da gente né!

Tomara que com esses escritos tenha conseguido pelo menos mostrar um pouquinho do que é  o viver moçambicano, se dar bem e se dar mal aqui. A saudade de quem a gente gosta existe, a vontade de tocar bateria e andar de bicicleta tranquilamente também, o desejo por um pastel de feira e garapa nem se fala então, mas viajar e viver em outro país é isso também, é se privar de tudo o que tem por hábito, senão qual o motivo de vir aqui pra esse fim de mundo, seria mais confortável ficar em casa com tudo isso que sinto falta. Mas daqui a pouco a volta acontece e dá pra colocar tudo em dia, inclusive de lembrar como era a vida aqui, e sentir falta das dificuldades e coisas que agora parecem tão ruins. No fundo nada é tão bom, nem tão ruim assim que mereça ser mantido ou negado, depende de como se compreende o viver e a própria existência.

Eu gosto de rodar por aí! Tem tanta coisa legal pra ver… …vale à pena!

Abrazos!!

Ao som de: Alice in chains – antigão esse

Rafa


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Balanço do tempo

Fim do dia na fronteira do Malawi!

Fim do dia na fronteira do Malawi!

Aqui os tomates são vermelhos, incrível não é!! Sensacional! Espantoso... ...puxa vida isso é realmente uma aventura... ...tomates vermelhos!

Aqui os tomates são vermelhos, incrível não é!! Sensacional! Espantoso... ...puxa vida isso é realmente uma aventura... ...tomates vermelhos!

If nothin’s right… …what’s wrong?

Use seu tempo pra se divertir é um bom lema !!

Vou pro Brasil quarta feira, fico dez dias… …ôôô beleza!!! Depois volto pra cá, daí só volto pra Brasil ano que vem!!

Apreixes!!

Rafa

Ao som de : Dub side of the moon